Cuidados com o aparelho digestivo...



 Nos DTNs, o controle das funções intestinais está prejudicado devido à interrupção da condução do impulso nervoso até o seu destino. As dificuldades se apresentam em graus variados dependendo da altura da lesão na coluna e a respectiva gravidade. A alimentação rica em fibras, os exercícios físicos adequados e a boa hidratação podem ajudar no combate à constipação e na busca da continência.
Este é mais um tema pedido através do site que resolvemos abordar de forma ampla para poder ajudar outras pessoas a lidar com uma das questões mais delicadas da vida dos portadores de defeito do tubo neural: seu intestino. O tema é extremamente complexo e as observações e sugestões podem variar muito para cada pessoa. Por isto, resolvemos abordar os pontos de maior convergência.
O que é o bom hábito intestinal? 
É a adoção de rotinas que permitam o esvaziamento regular do intestino.
Quais os fatores necessários para atingir esta condição? 
Em primeiro lugar a dieta deve ser equilibrada, com quantidades adequadas de fibras e líquidos, além da prática de exercícios físicos, dentro das possibilidades de cada um.
Por que nos DTNs o funcionamento do intestino está prejudicado? 
Nos portadores de espinha bífida, a motilidade intestinal prejudicada (intestino neurogênico) se deve à interrupção dos estímulos nervosos na região do defeito da coluna. Ou seja, os centros controladores da função intestinal ficam isolados pelo defeito na medula: suas ordens não chegam ao destino.
Quais os problemas mais comuns? 
A maioria dos portadores de DTNs apresenta constipação ou algum grau de incontinência intestinal. Nos primeiros, a evacuação é dificultada pela condição, enquanto que os outros apresentam perda espontânea de fezes. A razão é que muitas vezes os indivíduos devido à desnervação regional não têm a percepção adequada do preenchimento do reto.
Quais são os objetivos de uma boa programação do intestino? 
É importante estabelecer algumas metas para a boa manutenção do intestino. As vantagens são muitas, entre elas: 
- Redução de infecções urinárias. Quando as fezes permanecem retidas no intestino por longos períodos de tempo, isto aumenta a quantidade de bactérias potencialmente perigosas para o desencadeamento de infecções do sistema urinário.

- Melhora do esvaziamento da bexiga. As fezes presentes no intestino podem provocar deslocamento e conseqüente dificuldade de esvaziamento da bexiga. Os resíduos urinários devido ao esvaziamento incompleto da bexiga são importante causa de infecção urinária e sua repetição pode acabar lesando até os rins.

- Diminuição de problemas com a válvula de drenagem. A constipação do intestino pode prejudicar o funcionamento do shunt, diminuindo o fluxo liquórico.

- Redução do risco de câncer de cólon. Hoje é sabido que a retenção crônica de fezes aumenta muito o risco de câncer do intestino grosso.

- Diminuição da formação de gases. A constipação pode provocar a formação de gases em todo o aparelho digestivo, do estômago até o reto, causando mal estar físico devido a indigestão, desconforto estomacal, cólicas e flatulência, com prejuízos e embaraços sociais.

- Prevenção de problemas cutâneos. A incontinência e o uso de fraldas aumenta o risco de fissuras cutâneas e infecções secundárias por causa do contato prolongado da pele com as fezes.

 - Melhora do desempenho social e profissional. O controle intestinal adequado pode ajudar os indivíduos em suas experiências sociais, pode ajudá-los a conquistar e manter oportunidades de trabalho e, em conseqüência, auxiliá-los na conquista de graus progressivos de independência.
Quando uma pessoa é considerada continente? 
Pode-se dizer que uma pessoa controla sua função intestinal adequadamente quando ela está isenta de acidentes (perda involuntária de fezes).
O que fazer para diminuir a incontinência fecal? 
Embora existam muitas estratégias, tornar-se continente, ou seja, atingir um controle adequado do esvaziamento intestinal, é um processo único e especial para cada pessoa. É importante encontrar a sua estratégia de esvaziamento do cólon antes que ele se encha por si, causando acidentes e embaraços. No entanto, o programa que funciona para uma pessoa pode não ser útil para outra. Uma boa meta é conseguir o esvaziamento previsível pelo menos de 3 em 3 dias.
Que recomendações são dadas por estes programas? 
Consistência das fezes, tempo para a resposta fisiológica e rotina. Estes são os principais ingredientes que podem ser assim definidos: - Exercícios físicos dentro do possível e dieta saudável com suplementos ricos em fibras. É importante também a ingestão de água em quantidades adequadas, pois a hidratação insuficiente contribui para a retenção, endurecendo o bolo fecal. - Eleger horário regular e definido para o seu intestino, independentemente do local em que esteja; - Uso de supositórios, estimulação digital e enemas como adjuvantes da resposta; - Medicações adequadas quando necessárias, como laxantes, óleo mineral etc., sempre, porém, com orientação médica prévia.
Quando se preocupar? 
Se o esvaziamento intestinal não ocorrer por um período de três dias consecutivos, a atenção deve ser despertada. Se não houver ocorrido nenhum fato especial ou sintoma que possa estar correlacionado ou justifique a constipação, em geral, é realizado um enema e alguns medicamentos são ministrados. Se não houver resposta, o profissional de saúde deverá ser procurado para avaliar o paciente e definir a conduta mais adequada.
Um conselho final 
Administrar o funcionamento intestinal é um processo. E isto pode levar tempo. É importante ser paciente e perseverante. Se as estratégias em busca da continência não estiverem dando os resultados desejados, a opinião de um especialista deve ser ouvida.
 

Dr. Hermes Prado Jr
Fonte complementar:
Health Guide for People Living with Spina Bifida
SBAA - Spina Bifida Association of America

Fonte: http://www.hidrocefalia.com.br/jornais/jornal_04_18.htm

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